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Bahia

21/11/2020 ás 18h42

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Paulo Flores

Bahia / BA

Ferry e rebocador são afundados na Baía de Todos-os-Santos e serão usados no turismo subaquático
Embarcações foram afundadas neste sábado (21). Segundo Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ibio/Ufba), ação será positiva para a biodiversidade marinha.
Ferry e rebocador são afundados na Baía de Todos-os-Santos e serão usados no turismo subaquático
Momento do afundamento do ferry Agenor Gordilho em Salvador — Foto: Camila Souza/GovBA


Um ferry-boat e um rebocador foram afundados na Baía de Todos-os-Santos, nas proximidades de Salvador, neste sábado (21). O ponto de afundamento fica exatamente a 1,5 quilômetro da costa.

As duas embarcações serão usadas no turismo subaquático no estado. Essa foi a primeira vez que um ferry foi afundado no local. Estiveram envolvidas na ação a Marinha e as secretarias do Meio Ambiente (Inema), Infraestrutura (Agerba) e Administração (Patrimônio), além da Setur.

De acordo com o governo do estado, a expectativa é de que na próxima semana já sejam realizadas atividades de mergulho no local. O afundamento do ferry boat, com abertura das comportas para entrada da água, começou por volta das 12h e teve uma hora de duração. Em seguida foi afundado o rebocador Vega.

O ferry Agenor Gordilho - com 71 metros de cumprimento e 19 de altura - e o rebocador Vega iam virar sucata depois de funcionarem por cerca de cinco décadas de navegação, mas foram transformados em pontos de mergulhos e recifes artificiais.


Momento do afundamento do ferry Agenor Gordilho em Salvador — Foto: Camila Souza/GovBA


Momento do afundamento do ferry Agenor Gordilho em Salvador — Foto: Camila Souza/GovBA



Para viabilizar o afundamento, foram feitos estudos prévios de localização e de impactos ambientais. Óleos e combustíveis da embarcação foram removidos para atender às especificações ambientais, assim como peças que oferecessem riscos aos futuros mergulhadores.

Todo trabalho foi feito através de normas internacionais e também da Marinha do Brasil.

"No que diz respeito à segurança, da contaminação e de risco de corte, de acidentes desse tipo, o ferry boat ele foi, tanto o Agenor quanto o Vega, eles foram completamente limpos, foi retirada toda a tubulação, tudo por onde passou algum tipo de líquido, óleo, os motores foram retirados, foram abertas áreas maiores pra facilitar o deslocamento dentro dos navios", disse Rodrigo Maia Nogueira, instrutor de mergulho.

As embarcações ficarão entre 30 e 35 metros de profundidade, garantindo um bom acesso a partir de 15 metros para mergulhadores iniciantes.

Turismo subaquático


Ferry foi afundado na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador, para turismo subaquático — Foto: Camila Souza/GOVBA


Ferry foi afundado na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador, para turismo subaquático — Foto: Camila Souza/GOVBA



Segundo o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, a ação pode ajudar a captar mais recursos para o estado, já que, normalmente, os turistas acabam estendendo a viagem quando há mais atrativos e atividades a serem realizadas na cidade.

"Isso vai poder fazer uma nova perspectiva do turismo subaquático, que existe no mundo mas que a gente acaba explorado muito pouco aqui na Baía de Todos-os-Santos, que é a segunda maior do mundo. A gente acredita que em menos de um ano essa vida marinha se instalará nessas embarcações e as pessoas vão poder usufruir já a partir desta semana, tomando todas as preocupações que o turismo de mergulho assistido necessita", diz.

O secretário ainda contou que todas as normas foram seguidas para garantir a segurança ambiental.

"Todas as normas do meio ambiente foram respeitadas. O Inema acompanhou junto com a Marinha a semana inteira, as ultimas vistorias. Então a questão ecológica, que é fundamental e imprescindível, foi respeitada. Todas as normas de segurança atendidas", detalha.

Para Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ibio/Ufba), ação é positiva para a biodiversidade marinha.

"A gente não tem perspectiva de impacto negativo. Apenas impactos positivos para o ambiente. Uma vez que essa estrutura esteja afundada, vai servir de substrato para que vários organismos invertebrados consigam usar esse substrato para sua fixação. Ali vão se fixar, se desenvolver, iniciar toda uma vida. E, quando essa comunidade estiver estabelecida, será um chamariz para vários peixes", disse. Em termos de biodiversidade, é uma estratégia muito interessante. Já se usa recifes artificias em várias partes do mundo", explica.

Segundo o mergulhador e fotógrafo Roberto Costa Pinto, essa é uma oportunidade da Baía de Todos-os-Santos que é maior do país e a segunda maior do mundo, atrás apenas do Golfo de Bengala.

"Essa é uma oportunidade única para a Baía de Todos-os-Santos ganhar visibilidade nacional e internacional. É um grande momento pra todos nós e esses dois pontos de mergulho vão ser um grande ponto de ensino, uma sala de aula pro mergulho recreativo, técnico e científico", disse.


Com afundamento assistido de ferry-boat, Bahia investe no turismo subaquático — Foto: Camila Souza/GovBA


Com afundamento assistido de ferry-boat, Bahia investe no turismo subaquático — Foto: Camila Souza/GovBA

FONTE: G1 Bahia

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