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17/10/2021 ás 07h46

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Paulo Flores

Bahia / BA

Jovem com rosto deformado por tumor raro luta pela vida após perder um dos olhos no litoral de SP
Jovem de 18 anos teve que retirar um dos olhos e parte de um dos lados do rosto. Ainda assim, o tumor voltou a crescer.
Jovem com rosto deformado por tumor raro luta pela vida após perder um dos olhos no litoral de SP
Jovem com rosto deformado por tumor raro luta pela vida após perder um dos olhos — Foto: Arquivo Pessoal


O jovem Geovane Carvalho dos Reis, de 18 anos, de Praia Grande, no litoral de São Paulo, luta pela vida ao enfrentar um sarcoma raro que se desenvolveu em seu rosto, fazendo com que ele tivesse que retirar parte da face e perdesse um dos olhos. Após um primeiro procedimento para retirada do sarcoma, o tumor voltou a crescer, mas não fez com que ele perdesse a esperança de se curar.

O jovem completou 18 anos em janeiro, mas os primeiros indícios do mixofibrossarcoma epitelioide grau 3 apareceram, segundo a família, no fim do ano passado. "O caroço começou a surgir no rosto dele em outubro do ano passado, mas era bem pequenininho, e pensamos que fosse qualquer outra coisa. Os médicos, a princípio, acharam até que era do siso. Mas, quando o caroço começou a crescer, ficamos preocupados", relata a irmã de Geovane, a artesã e empreendedora Graciela Carvalho Reis de Menezes, de 40 anos.

A família, então, o levou para fazer exames panorâmicos, mas o especialista em buco-maxilo-facial identificou que não havia nenhuma ligação com o siso, e passou a investigar o 'caroço' que crescia no rosto do jovem. "Ele fez a primeira biópsia no início do ano, mas veio laudo inconclusivo. Porém, o caroço passou a crescer cada vez mais", diz.

Geovane, então, fez a segunda biópsia, e após cerca de 20 dias, o resultado apontou que ele estava com um tumor benigno, o que fez a família ter esperança na recuperação. Contudo, ele foi encaminhado a um médico especializado em cabeça e pescoço, que o informou que, na verdade, o câncer não era benigno.


Jovem não desistiu de lutar, mesmo com os desafios vividos devido ao sarcoma que o fez perder um dos olhos — Foto: Arquivo Pessoal


Jovem não desistiu de lutar, mesmo com os desafios vividos devido ao sarcoma que o fez perder um dos olhos — Foto: Arquivo Pessoal


"Nosso chão caiu. Ele informou que, na verdade, a anatomia e o crescimento rápido mostravam que era um sarcoma", diz a irmã. Geovane foi submetido a uma ressonância, que mostrou que a doença já havia comprometido sua visão.

"O médico pediu mais uma biópsia, para ter certeza de quais seriam os próximos procedimentos, já que o primeiro laudo deu inconclusivo e o segundo benigno. O médico queria ver se teria uma outra alternativa, sem ter que tirar o olho dele. Porque era uma cirurgia muito difícil, de até 15 horas, para retirar o tumor e reconstruir a face", afirma.

Graciela relata que o tumor não parava de crescer, e não houve outra alternativa, a não ser o procedimento cirúrgico, incluindo a retirada de um dos olhos. "Não foi só o globo ocular, foi toda a estrutura do olho, então, não tem como ter transplante. Ele também perdeu uma parte da face. Em meio a um momento tão difícil, o Geovane nos impressionou pela coragem, a gente achou que ele fosse desabar, mas não", diz.

Cirurgia

De acordo com a irmã, a cirurgia foi realizada no meio deste ano. "Retiraram todo o tumor e pegaram parte do músculo da perna para reconstrução. Tamparam toda a parte retirada, que alcançou [em um dos lados do rosto] da parte de cima da sobrancelha ao queixo, mantendo a boca. Mas, o corpo dele rejeitou esse enxerto", diz.

Na mesma semana, os médicos tentaram fazer o procedimento novamente, mas não foi possível fazer a reconstrução mais uma vez. "Ele continuou com a face sem nada. Foi estudada outra possibilidade de cirurgia, com a ajuda de um especialista de São Paulo, e foi feito um novo procedimento. Porém, tempos depois, após alguns imprevistos, quando seria feito o fim da reconstrução por uma nova cirurgia, o tumor voltou a crescer", relembra a familiar.

O jovem já estava há dois meses no hospital, e precisou começar tratamento de quimioterapia e radioterapia. "O médico, ainda assim, destacou que não dava certeza de que isso seria a cura, pelo câncer ser muito agressivo. Foi horrível ouvir aquilo e contar para ele, que até então estava bem mais esperançoso. Naquele momento, ele se abateu e chorou, mas falei para ele ter fé", relata.

Mas, apesar das dificuldades, o jovem não desistiu de lutar. "Ele disse que iria parar de chorar, fazer o tratamento, e com muita fé, se curar e voltar para casa. Não sei de onde tirou tanta força, e aquilo também nos deu muita coragem para seguir em frente. Teve uma noite que os médicos acharam que ele poderia partir, devido a uma piora que ele teve, até nos chamaram para ir vê-lo, mas ele conseguiu superar. Ele é muito guerreiro, um exemplo para todos nós", destaca.

O sarcoma

O cirurgião oncológico Fernando Yaeda explica que o mixofibrossarcoma epitelioide é raro. "Sarcomas já são tumores menos frequentes, e esse tipo de tumor que ele apresentou é mais raro ainda, e não é tão comum em jovens, é mais comum em pacientes idosos, mas pode ocorrer em qualquer idade", afirma.

Yaeda diz que o tumor é agressivo localmente, mas tem baixo potencial para metástase, ou seja, de espalhar pelo corpo. "Tem risco de 20% a 30% de espalhar, e geralmente vai para o fígado, pulmão e ossos, mas o problema maior dele é local. Localmente, ele cresce e invade as estruturas em volta. No caso dele, como é na face, acabou invadindo tudo que está ao redor, musculatura, parte óssea e globo ocular.

Segundo o especialista, o tratamento para esse tipo de tumor é a cirurgia, porém, muitas vezes, o procedimento não é capaz de definir toda a margem do tumor. Dessa forma, acontece com frequência de o médico achar que tirou todo o tumor, mas ainda ficar uma parte dele no paciente.

"Tanto é que a taxa de recorrência da doença é de 50% a 60%, ou seja, depois que opera, o tumor pode acabar voltando. Não há uma causa específica para a doença surgir, e geralmente aparece como um nódulo. Superficialmente, parece um tumor pequeno, mas profundamente já está invadindo e crescendo nas estruturas ao redor. Devido a esse crescimento local, o tumor afeta a qualidade de vida do paciente", destaca.

FONTE: g1

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