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17/09/2019 ás 19h14

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Licinio de Almeida / BA

Vídeo mostra suspeito de feminicídio levando empresária baleada no elevador
Caso tratado inicialmente como suicídio teve uma reviravolta após as investigações da polícia constatarem que a mulher foi agredida pelo namorado no estacionamento do prédio onde ela morava.
Vídeo mostra suspeito de feminicídio levando empresária baleada no elevador
Empresária baleada é carregada em elevador pelo filho adolescente — Foto: Reprodução


Vídeo de câmera de segurança mostra o momento que a empresária cearense Jamile de Oliveira Correira, de 46 anos, foi carregada ferida pelo filho, um adolescente de 14 anos, e pelo namorado dela, o advogado Aldemir Pessoa Júnior, para o elevador do prédio onde a mulher morava horas antes de ela morrer no hospital.

O homem passou a ser considerado suspeito de ter matado Jamile. A polícia descarta o envolvimento do adolescente, tido como testemunha. O caso, ocorrido em 29 de agosto, no bairro Meireles, área nobre de Fortaleza, teve uma reviravolta após as investigações da polícia constatarem que Jamile foi agredida por Aldemir no estacionamento do prédio.

A morte da vítima, antes considerada um suicídio, agora é investigada como um caso de feminicídio — homicídio que envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

As imagens, que são fortes e podem ser vistas no vídeo acima, foram registradas a partir da 0h27 de 30 de agosto. No vídeo, o filho da vítima aparece sem camisa e descalço, usando apenas um short, puxando com dificuldade a mãe desacordada para dentro do elevador. Antes de entrar, ele chega a movimentar os braços dela, e a mulher parece mover a cabeça para trás.

Correção: o G1 errou ao afirmar Jamile de Oliveira Correira foi indiciado pelo crime de feminicídio. Ele é suspeito de ter cometido o crime. O erro foi corrigido às 18h39)

Com a mãe no chão ainda do lado de fora do elevador, o garoto se agacha e toca nela, enquanto aperta botões do elevador. Ele parece tentar falar com ela, enquanto a vítima aparentemente move parte do corpo. Segundos depois, o namorado da vítima aparece nas imagens e ajuda o garoto a colocar Jamile dentro do elevador.

Os dois empurram a mulher, que parece se esforçar para movimentar partes do corpo, como os braços, enquanto o garoto continua agachado próximo do rosto dela. Depois a mulher fica imóvel, o suspeito se agacha próximo ao rosto dela e o filho põe a mão na cabeça e movimenta o rosto contra o espelho do elevador.

O suspeito e o garoto parecem ter uma rápida conversa, e os dois acabam tirando a mulher de dentro do elevador. O vídeo encerra em seguida, à 0h28. Nas imagens, é possível ver um hematoma no olho da mulher e uma mancha de sangue no peito dela.

Procurado pelo G1, o advogado suspeito de ter matado a mulher disse que não houve assassinato e que ele não tinha interesse no patrimônio da empresária, negando o teor do relato de uma familiar da vítima.


Agressão no estacionamento



As investigações da polícia apontam que, no fim noite do último dia 29 de agosto, Jamile foi agredida pelo namorado no estacionamento do prédio onde ela morava. Logo depois, o casal retornou ao apartamento e houve um disparo de arma de fogo que atingiu a empresária.

Jamile foi deixada pelo namorado no Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza. O homem não ficou no centro médico após ela dar entrada. Jamile morreu às 7h do dia 31 de agosto. Apesar da gravidade do caso, o homem não relatou aos familiares sobre o estado de saúde da empresária e também não acionou a polícia após ir ao hospital.

Ainda de acordo com a investigação, o advogado chegou a retornar ao prédio, limpou o local e permaneceu no apartamento. Enquanto Jamile estava no hospital, Aldemir Pessoa utilizou o celular dela.


Laudo não condiz com relato


Companheiro da empresária passa a ser suspeito de feminicídio em caso que foi tratado inicialmente como suicídio — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução


Companheiro da empresária passa a ser suspeito de feminicídio em caso que foi tratado inicialmente como suicídio — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução



Em um primeiro momento, a morte estava sendo investigada como um caso de suicídio. Quando a Polícia Civil tomou conhecimento dos fatos anteriores à internação dela, no entanto, o advogado, que é atirador esportivo, foi chamado para depor. Aldemir Pessoa disse que ele e o filho de Jamile tentaram evitar o disparo efetuado por ela mesma.


Contudo, o laudo cadavérico da empresária não condiz com o relato. Na última sexta-feira (13), Aldemir foi apontado pelas autoridades como autor do feminicídio. A arma que teria sido utilizada no caso foi apreendida.

Familiar relatou ameaças

Uma familiar de Jamile contou, sob a condição de não ser identificada, que Aldemir vinha ameaçando a empresária e já havia formulado um documento para que a vítima assinasse, repassando a ele todos os seus bens.


Empresária foi baleada no peito; companheiro afirmou que ela tentou suicídio, versão contestada pela polícia — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução


Empresária foi baleada no peito; companheiro afirmou que ela tentou suicídio, versão contestada pela polícia — Foto: TV Verdes Mares/Reprodução



“Tudo isso me abala muito. A única coisa que ele queria dela era o patrimônio dela. Quando o marido dela faleceu, ele deixou um patrimônio alto. Na minha cabeça, ele arquitetou tudo. Fez confusão e matou ela. Ele tinha uma folha onde dizia para ela passar todo o patrimônio dela para ele. Ela disse que ele podia matar ela e ela não passava. Ela dizia para mim que ele era um carrapato, que mandava ele sair do apartamento e ele não saía", afirmou a entrevistada.

Aldemir Pessoa Júnior disse que ele e Jamile estavam apaixonados, prestes a se casar. "Patrimônio por patrimônio, eu tenho o meu. Não se trata disto. Nós íamos casar agora dia 18, no dia do aniversário dela. Foi um suicídio e, de qualquer forma, tenho minha consciência tranquila", disse.

Ainda conforme apuração do G1, o advogado foi indiciado pelo feminicídio. O caso é investigado no 2º Distrito Policial (Aldeota), que tem como titular a delegada Socorro Portela. A investigadora atendeu a ligação da reportagem, mas informou que não poderia dar mais detalhes sobre o caso a fim de não atrapalhar as investigações.


 

FONTE: G1

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