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10/10/2019 ás 06h40

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Licinio de Almeida / BA

'Não podemos vender', diz pescador que trabalha em praia afetada por óleo na Bahia
Segundo prefeitura de Conde, pesca e turismo foram impactados pelo aparecimento do óleo. Esplanada, Entre Rios, Jandaíra e Mata de São João também foram atingidos.
'Não podemos vender', diz pescador que trabalha em praia afetada por óleo na Bahia
Bahia já tem treze praias de seis municípios atingidas por machas de óleo

 Os pescadores e comerciantes que trabalham nas praias atingidas pela mancha de óleo nas seis cidades da Bahia registraram prejuízos nos últimos dias.

Segundo a Marinha, os últimos registros foram em Itacimirim e Guarajuba, praias da cidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. As demais cidades atingidas pelo óleo são Jandaíra, Mata de São João, Esplanada, Entre Rios e Conde.

Na praia de Poças, no município de Conde, a cerca de 150 km de Salvador, grandes placas de óleo se acumulam nas pedras e na areia. Segundo a prefeitura do município, são 40 quilômetros de praias atingidas pelas manchas.

“A gente saiu, mas quando começou a chegar esse óleo e a gente foi obrigado a retirar as redes, porque não podemos pegar os peixes, os peixes vêm atrás do óleo, peixes contaminados não podemos vender”, disse o pescador Maicon Nascimento.


Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam na Bahia — Foto:  João Arthur/Tamar


Manchas de óleo que atingem mar no Nordeste chegam na Bahia — Foto: João Arthur/Tamar


 Na praia de Siribinha, que também fica no município de Conde, as manchas de óleo são menores, mas estão espalhadas por quase toda a área. De acordo com o barraqueiro Celso Pinto, a poluição vem afastando os turistas das praias.

“O pessoal chegava e voltava todo mundo, porque não tinha como tomar o banho. Eu fiz estoque, desde a semana passada que eu comprei muitas coisas para o final de semana e o feriado do dia das crianças, mas está tudo aí”, lamentou Celso.

O Projeto Tamar informou que o óleo adere à pele e é de difícil remoção. A substância também pode causar irritação, em caso de contato com os olhos ou de inalação. A instituição também disse que o petróleo cru pode conter compostos considerados cancerígenos.

Para fugir das manchas do óleo, os especialistas do Projeto Tamar levaram 500 filhotes das praias de Conde e Jandaíra e soltaram na Praia do Forte, 100 quilômetros ao sul, onde a quantidade das manchas é bem menor.

“Lá [Praias de Conde e Jandaíra] as manchas estão muito densas, [manchas de óleo] estão fazendo uma barreira na praia e esses filhotinhos que estão nascendo não conseguiriam alcançar o mar”, explicou a coordenadora de Pesquisa e Conservação do Tamar, Neca Marcovaldi.

As manchas chegaram no estado na última quinta-feira (3), quase um mês após o início do problema no país. Mais de 130 praias já foram afetadas pelo problema em todo o Nordeste. Há registro em todos os nove estados da região. A Bahia foi o último a ser atingido.

O Tamar suspendeu a soltura de filhotes de tartaruga, para preservar os animais que são desovados na Bahia. Segundo o Projeto, os filhotes correm risco de morte se entrarem em contato com a substância.

Na terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que há uma suspeita de o óleo ter sido despejado "criminosamente" no litoral. Ainda segundo o presidente, o volume da substância não é constante. O que se sabe é que o óleo não é produzido no país.

FONTE: G1 Bahia

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