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10/07/2020 ás 13h02 - atualizada em 10/07/2020 ás 13h02

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Paulo Flores

Bahia-Brasil / BA

Macacos filhotes são escravizados e forçados a colher até mil cocos por dia
Esquema criminoso alimenta mercado de leite de coco em todo o planeta. Animais tinham dentes arrancados e trabalhavam até a morte
Macacos filhotes são escravizados e forçados a colher até mil cocos por dia
Reprodução/PETA

Uma investigação liderada pela ONG ambientalista People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) encontrou macacos de cauda de porco sendo usados como escravos em fazendas de coco no Sul da Tailândia, a maior produtora mundial de leite de coco. Foram identificadas ao menos 13 plantações onde os espécimes eram treinados forçadamente a colher os frutos, além de realizar truques para os turistas.


Macaco isolado


Eles trabalham até morrer, quando são substituídosReprodução/PETA



A PETA divulgou imagens perturbadoras de um destes animais, o Kulap, que foi tirado ainda filhote de sua família. Acorrentado pelo pescoço, enfiado em uma jaula pequena, o animal foi transportado por traficantes de animais para uma “escola de macacos” .


Assim como Kulap, outras centenas de macacos de cauda de porco foram treinados, cada um por cerca de três meses, a escalar coqueiros, sempre acorrentados, e colher até mil cocos por dia. A prática abastece o mercado de leite de coco tailandês, que é exportado para todo o planeta.


Macaco acorrentado no lixo


Uma investigação liderada pela ONG ambientalista People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) encontrou centenas de macacos de cauda de porco sendo usados como escravos em fazendas de coco no Sul da TailândiaReprodução/PETA

Além de serem usados como escravos em plantações, os animais também eram forçados a aprender a andar de bicicleta, atirar em cestas de basquete, fazer abdominais, praticar poses de ioga, levantar pesos e todo tipo de prática humilhante ao estilo circense que façam os turistas darem dinheiro para seus donos.



Escravidão até a morte

Tirados da natureza e treinados, os animais são vendidos a agricultores ou domadores de animais por até 100 mil bath tailandeses(cerca de R$ 16,8 mil). Segundo a PETA, quando os animais ficavam agitados, ao atingirem a puberdade (entre os cinco e seis anos de idade), eles tinha os dentes arrancados. A maioria é usada até a morte.

“Negada a oportunidade de circular livremente, socializar com os outros ou fazer qualquer outra coisa que seja significativa para eles, esses animais inteligentes lentamente perdem a cabeça. Levados ao desespero, eles andam e circulam sem parar nos trechos estéreis e cheios de lixo aos quais são acorrentados.”

A PETA destacou, em nota, que outras regiões produtoras de coco – incluindo o Brasil, Colômbia e Havaí – colhem os frutos usando métodos humanos, como elevadores hidráulicos montados em trator, escaladores de árvores, sistemas de corda, plataforma ou escadas, ou plantam coqueiros anões. “Estudos mostraram que esses métodos são superiores ao uso de macacos, que não conseguem distinguir entre frutos maduros e verdes, e os cocos maduros ficam machucados quando os macacos os jogam no chão”, justificou a ONG.


Após a denúncia, o governo da Tailândia disse que vai permitir que varejistas e consumidores rastreiem os cocos de volta à sua fonte para saber se macacos foram usados em suas colheitas. Países que mais consomem os produtos derivados do coco da Tailândia, O reino Unido e a Austrália já foram conscientizados sobre o problema e devem retirar das redes de supermercados os produtos de marcas envolvidas no tráfico de macacos. Até agora, a PETA denunciou as marcas Aroy-D e Chaokoh.


FONTE: metropoles

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